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Publicado em 12 de Março de 2025 em 17:17
Falar de operações nas empresas significa falar de produto, de processo e da gestão eficiente e eficaz de recursos, de que se destacam matérias-primas, mão de obra, tecnologia, infraestruturas, equipamentos e sistemas de controlo de qualidade; estes são os elementos que determinam a produtividade de qualquer organização, seja na produção de bens e produtos, seja na prestação de serviços.
É às operações, a quem compete gerir e melhorar de forma contínua todos estes fatores de produção, com o objetivo de criar as vantagens competitivas essenciais a qualquer negócio e em qualquer mercado.
Cerca de 96% das empresas em Portugal são Pequenas e Médias Empresas (PME), mas poucas aproveitam o potencial da modernização das operações para crescer e competir globalmente.
Os fatores de produção existentes em Portugal e as suas consequências no produto final são, no final de contas e em boa medida, o que determina a atratividade do novo empreendedorismo, bem como a competitividade e a capacidade de se exportar o produto nacional.
A subida de preços das matérias-primas transformadas e a crescente dificuldade na antecipação das dinâmicas da procura afetam de forma transversal toda a indústria, nomeadamente a nacional; o que não afeta de forma transversal as nossas empresas é o ecossistema regional e nacional onde se produzem e transformam os produtos e serviços portugueses, bem como o nível de competências e inovação nas operações existente em cada empresa.
As operações são, assim, moldadas por estas duas dimensões: uma primeira, que abrange os fatores de produção existentes no contexto em que a organização atua e no qual transforma os seus produtos (preços da matéria-prima, da energia, rede logística de importação e exportação, fiscalidade,…), e que engloba também as ferramentas e infraestruturas que determinam a diversidade e competitividade do ecossistema industrial nacional e regional; e uma segunda dimensão, a das competências de gestão de operações, do saber-fazer fundamental, que em muito está ligado ao processo, ao método e à inovação.
Foquemos por agora apenas esta segunda alavanca da competitividade, ou seja, o contributo da boa gestão e da boa engenharia e, em particular, o desenvolvimento de competências na área das operações na generalidade nas nossas PME.
Num contexto empresarial em permanente e rápida evolução, a inovação nas operações constitui um elemento vital no sucesso de qualquer microeconomia.
Em Portugal, no triénio 2020-2022, cerca de 44,7% das empresas tiveram algum tipo de atividade de inovação, seja ao nível do produto ou do processo. Contudo, face ao período 2018-2020, todos os setores registaram um decréscimo na inovação empresarial, com exceção do setor do alojamento e restauração, cujo indicador cresceu 1,9%, razão que contribuiu para que a Grande Lisboa tenha registado a maior percentagem de empresas inovadoras (cerca de 50% do total). O setor que registou o maior decréscimo foi o da agricultura e pescas, com -5,3% no desenvolvimento de atividades de inovação.
Neste mesmo triénio de 2020-2022, apenas 22,6% das empresas introduziram inovações de produto (novo ou melhorado), e para este aumento contribuíram essencialmente as empresas com 250 pessoas ou mais, atuando, na sua maioria, nos setores da informação e comunicação e das atividades financeiras e de seguros.
As empresas não inovadoras justificam não ter inovado por não sentirem essa necessidade (28%) ou por não terem os recursos necessários (16%). Estes rácios, preocupantes, têm como fonte o último Inquérito Comunitário à Inovação 2022, publicado pelo INE.
A inovação e a melhoria contínua da gestão de operações em Portugal têm de estar sempre presentes, independentemente da dimensão da empresa ou do setor em que atua.
A queda dos índices nacionais de inovação está também intrinsecamente ligada à necessidade de formação, reforçando a importância de iniciativas que procurem a melhoria de competências nas organização de modo a reverter esse cenário.
As PME representam a espinha dorsal da nossa economia, e estas empresas enfrentam hoje desafios na gestão de operações mais exigentes e complexos, na incessante otimização de processos e produtos, de modo a competir nos mercados onde já atuam e serem capazes de se expandir.
Formar para alavancar o negócio tem de ser uma prioridade do nosso tecido empresarial.
O sucesso das operações das nossas pequenas e médias empresas, sejam entidades privadas ou públicas, define um ecossistema, capaz ou não de atrair e viabilizar o empreendedorismo nacional.
É o comportamento das empresas e a sua performance integrada que determinam a competitividade de um país.
A cooperação em atividades de inovação nas operações, nomeadamente com fornecedores, clientes, universidades, institutos de investigação ou consultores, é uma alavanca a reforçar.
Temos de capacitar as nossas organizações com melhores competências nas operações, não apenas para sobreviverem, mas para prosperarem num contexto cada vez mais dinâmico e exigente, para que o processo de transformação nacional de produtos e serviços inovadores seja mais eficiente e eficaz.
Portugal é rico em exemplos de desenvolvimento científico, temos agora de ser igualmente ricos na transformação de ideias inovadoras em operações de sucesso; temos de saber gerir recursos e a sua transformação em produtos e serviços inovadores, hoje é urgente que estes casos de empreendedorismo sejam mais frequentes. Para isso, é crucial que as PME invistam no desenvolvimento de competências que fortaleçam as suas operações.
É nesta dimensão, ao nível das competências, que se desenvolve a iniciativa VOICE Leadership. Desenvolvida pela NOVA School of Business and Economics, esta iniciativa tem como grande missão formar com vista a alavancar os negócios, contribuindo assim para o fortalecimento do tecido empresarial português, através da capacitação e desenvolvimento de competências fundamentais na gestão das empresas.
A formação em Gestão de Operações é um investimento direto na competitividade de qualquer PME. Que a força da boa gestão de operações esteja connosco… aqui em Portugal.
Para mais informações consulte o programa Nova SBE Voice Leadership Initiative.